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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Terra ou Mãe Terra: qual a diferença?

No ano passado, a Assembléia Geral das Nações Unidas acatou, por unanimidade, a proposta da Bolívia de declarar o dia 22 de abril, há 40 anos lembrado como o Dia da Terra, como o Dia Internacional da Mãe Terra. Muito além do nome, a mudança pode abranger a maneira como nos relacionamos com o planeta e com todos os outros seres que coabitam esta morada

40 anos, pessoas do mundo todo comemoram, em 22 de abril, o Dia da Terra. Mas, a ONU nunca o celebrou oficialmente. No ano passado, o presidente da Bolívia, Evo Morales, sugeriu que o órgão proclamasse a data como o Dia Internacional da Mãe Terra. A proposta foi acatada por unanimidade na Assembléia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York, no próprio dia 22.
Na época, Morales elogiou a decisão dizendo que: “Sessenta anos depois da adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Mãe Terra está, agora, finalmente tendo seus direitos reconhecidos”.

A nomenclatura é inspirada na própria tradição boliviana de chamar o planeta de Pacha Mama, que na linguagem quíchua quer dizer “Mãe do Mundo”, em referência à divindade máxima dos povos andinos.
O presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas, Miguel D’Escoto Brockmann, comentou que “todos nós viemos da Terra e para a Terra retornaremos. Durante nossa vida aqui, a Terra nos sustenta e toma conta de nós, purificando o ar que respiramos e provendo alimentos saudáveis para nossa sobrevivência. É por isso que eu amo ouvir nossa Terra sendo chamada de ‘Mãe Terra’”.Brockmann ainda acrescentou que a inclusão está no coração do Dia Internacional da Mãe Terra, e que a divisão de responsabilidades para reconstruir nossa complicada relação com a natureza é o que vem unindo as pessoas ao redor do mundo. Especialmente neste momento em que os cientistas temem estarmos nos aproximando de um ponto em que os danos ambientais se tornem irreversíveis.

O presidente boliviano espera agora que seja redigida uma Declaração dos Direitos da Mãe Terra, em que se contemple o direito à vida para todos os seres vivos, à regeneração da biodiversidade do planeta, à vida limpa, livre de contaminação e poluição, e o direito à harmonia e ao equilíbrio entre todas as coisas.

Nas mais diversas tradições indígenas ao redor do mundo, a Terra era vista como um ser vivo que proporcionava a existência aos povos da floresta e a todas as demais criaturas, era a matriz, a origem a partir da qual tudo nasce, a mãe-primeira.

As manifestações dessas culturas podem ser facilmente comprovadas, entre outras situações, no cuidado dos índios brasileiros com a Mãe Natureza, no culto dos povos andinos à deusa Pacha Mama – a mãe de tod
a a vida – e na famosa carta do chefe Seattle, cacique norteamericano, em resposta à proposta do presidente dos Estados Unidos, em meados do século 19, de comprar terras indígenas : “ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra” (Leia a resenha do livro A Carta do Cacique Seattle).

No entanto, com o passar do tempo, mesmo tendo a própria ciência comprovado nossa interdependência com todos os seres do planeta; e ainda que se tenha disseminado a Teoria de Gaia, desenvolvida pelo cientista e ambientalista James Lovelock – que defende que a Terra se comporta como um grande organismo vivo, com mecanismos que mantêm suas condições favoráveis à existência da vida –, nos desconectamos do todo (Leia as resenhas dos livros: Gaia – Cura para um planeta doente e Gaia: Alerta Final).

A maioria de nós – ocidentais, racionais, pós-modernos, consumistas e individualistas que somos – enxerga o planeta como algo a ser explorado e, no máximo, preservado para que as futuras gerações também tenham o que explorar. Acostumados com o discurso de que tudo o que existe está aqui para servir aos seres humanos, nos colocamos acima das plantas, dos animais, da água, do solo e do ar e cultivamos uma visão pragmática e utilitarista em relação aos recursos da Terra e aos demais seres vivos. “Já dizia o livro bíblico do Gênesis que as coisas foram criadas por Deus para nosso serviço. Mas nos esquecemos de que o que nos serve não é inferior a nós e merece nossa honra, nosso cuidado e nossa profunda gratidão”, diz Lia Diskin, fundadora da organização Palas Athena e conselheira do Planeta Sustentável.
Felizmente, nos últimos anos, com o discurso da sustentabilidade cada vez mais presente, uma série de movimentos vêm propondo o retorno ao cuidado com a natureza, a valorização dos direitos humanos, a preservação das florestas e o fim dos maus tratos aos animais. A ecologia está inserida nos currículos escolares de maneira interdisciplinar e as novas gerações vêm sinalizando uma preocupação natural em relação ao desperdício de água e energia e mais consciência em relação aos seres vivos de modo geral. Ao mesmo tempo, a natureza dá sinais claros de que nosso atual estilo de vida não poderá ser sustentado por muito mais tempo.

Em meio a esse contexto que parece ganhar força, no dia 22 de abril do ano passado, a Bolívia, por meio de seu atual presidente de origem indígena, Evo Morales, propôs, em Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que a data – há 40 anos lembrada como o Dia da Terra por diversos países – fosse reconhecida pela ONU como o Dia Internacional da Mãe Terra. A sugestão foi acatada por unanimidade.
Mas, na prática, qual a diferença de darmos ao planeta o título de mãe? Para Lia Diskin, “mudar o nome de algo é reconhecer ali uma identidade diferente. O planeta retoma seu status de mistério em que a vida se renova, em vez de depósito de onde extraímos o que precisamos”.
A psicóloga Monika von Koss, citando o biólogo chileno Humberto Maturana, diz que nos tornamos quem somos numa relação de “linguajear”. Segundo ela, as palavras são importantes e definem o modo como pensamos, agimos e sentimos. “Estamos condicionados a um linguajear de guerra e precisamos transformá-lo em um linguajear de amor, fazendo com que os relacionamentos e as organizações sejam imbuídos dessa qualidade”.

O interessante é que, em todas as culturas atuais, por mais que seus valores tenham sido distorcidos, a figura da mãe é algo que ainda mantém um lugar especial, que lembra um vínculo maior e implica em entrega mútua.
“O termo Mãe Terra nos remete ao lar e recupera a concepção original dos povos nativos em relação à mãe que acolhe, nutre e apoia na vida e na morte”, diz Monika, que trabalha, entre outras coisas, com a reincorporação dos valores do feminino na sociedade. Em seu artigo Matriz, mãe, maternidade, ela afirma: “de todas as forças que impactaram os grupos humanos ao longo de seu processo evolutivo, a mais fundamental é a maternidade. A força da maternidade é prevalente, porque sem ela não haveria humanidade, sem ela não haveria existência” (Leia o artigo na íntegra).
Lia Diskin concorda: “No lugar de um objeto despossuído de personalidade, com o qual julgávamos impossível construir um laço afetivo, inserimos um termo consolidado em nosso imaginário como a maior expressão de acolhimento, carinho e amor”.

Como uma legítima mãe, que acolhe a todos os seus filhos, a Mãe Terra não faz distinção entre as criaturas que a habitam. “Independentemente de tamanho, cor, inteligência ou qualquer outro critério que a gente queira inventar, a ideia da Mãe Terra não é de utilidade, mas de interação com o todo. Ela não discrimina ou classifica, mas acolhe a todos”, diz Monika.

Esses valores que nos colocam em pé de igualdade com os demais seres do planeta estão presentes em documentos como a Carta da Terra, concluída há dez anos (leia aqui), e a Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra, em fase de elaboração (leia a primeira versão).

A noção de interdependência pode ser reconhecida e vivida nas coisas mais simples. Lia Diskin diz que, ao pegarmos um lápis e um papel para escrever, por exemplo, deveríamos nos lembrar de que eles já foram parte de uma árvore um dia, ou nos darmos conta de que todos os objetos que têm como base o petróleo, na realidade, são feitos de milhões de plantas e dinossauros decompostos. “Precisamos adquirir a capacidade de ver as coisas em profundidade. A partir do momento em que me conscientizo de que tudo o que me presta serventia já foi um ser vivo, passo a ter uma relação mais respeitosa com esses objetos. É preciso reconhecer que tudo o que nos rodeia é sagrado”.

Monika von Koss diz que o aprendizado de se refazer essa relação maternal com o planeta é o do cuidado. “Perdemos o valor do cuidar e o desafio é recuperar isso. Atualmente, todas as profissões cuidadoras são mal remuneradas, há uma desqualificação do cuidado, sendo que todos precisamos dele em qualquer momento da vida. Essa é uma qualidade do feminino, que, além de maternal, é colaborador, busca a beleza, a harmonia e a paz”.

Somente em 2006, alguns profissionais ligados à redação do documento fundaram o movimento Carta da Terra Internacional, com sede na Universidade da Paz, mantida pela ONU, na Costa Rica. Mirian Vilela, desde 2007, é a diretora-executiva da organização responsável por disseminar a declaração pelo mundo. Hoje, mais de 90 países nos cinco continentes possuem atividades baseadas na Carta.

Com a autoridade de quem participou ativamente do nascimento e da divulgação do documento, Mirian Vilela comenta a importância da Carta e os projetos que a declaração inspirou, além dos planos para este ano de celebrações.

Como está a consciência das pessoas em relação à sustentabilidade?
Ainda não é satisfatória, pois as pessoas têm consciência do conceito pela metade. Quando se fala em sustentabilidade, geralmente, o enfoque é a proteção ambiental, mas a sustentabilidade é muito mais que ecologia: ela é um balanço entre a dimensão social e a ambiental, incluindo os desafios sociais e econômicos. Nós somos educados e orientados para trabalhar de forma segmentada, mas é necessário que haja uma visão sistêmica. Se as pessoas entendessem essa integralidade, não existiria tanto desentendimento, por exemplo, entre os ministérios do Meio Ambiente, da Economia e da Agricultura dos países. Todos trabalhariam de forma integrada e sustentável pelo bem comum.

Como foi lidar com as diferenças culturais durante a redação da Carta da Terra?

Foi um processo enriquecedor e de muito diálogo. A declaração tem legitimidade justamente porque é um consenso global e foi elaborada por pessoas de diferentes raças, crenças e nacionalidades. O uso de algumas palavras foi exaustivamente discutido, por conta de seu significado para cada cultura. Os americanos, por exemplo, hesitaram em aceitar a palavra “amor” na declaração, por acharem que ela é sentimental demais. E nós brasileiros fomos cruciais para a decisão desse impasse. Explicamos que é necessário trabalhar nosso lado emocional para fazer com que tudo funcione. A redação da Carta foi uma grande troca de experiências e aprendizados.

Qual a estratégia da Carta da Terra Internacional para divulgar o documento pelo mundo?
Traduzimos a declaração para 50 idiomas e estamos trabalhando na criação de páginas na internet, no maior número possível de idiomas. Também divulgamos documentos de apoio como o Guia para Usar a Carta da Terra na Educação, voltado para educadores. Participamos de fóruns e eventos pelo mundo todo. Hoje, temos uma rede de 4.800 associados que apoiam a declaração, incluindo empresas, governos e ONGs. Mas é impossível precisar quantas entidades usam a Carta da Terra e quais projetos são desenvolvidos porque o movimento é descentralizado. Nós divulgamos a Carta, orientamos, mas não controlamos. Cada um a utiliza da melhor forma que pode.

A educação ocupa papel de protagonista nas ações da Carta da Terra?
Sem dúvida! A educação é a chave para as mudanças futuras, mas, o conceito de educação deve ser ampliado. Não é apenas nas escolas e universidades que se aprende o que é sustentabilidade. A educação informal é importantíssima. As formas de arte e a própria mídia também educam para a sustentabilidade, de uma forma mais branda, porém muito eficiente.

Quais são as iniciativas mais marcantes na área da Educação?
A Universidade Metodista de São Paulo, no ABC Paulista, está reformulando seu projeto pedagógico para inserir o ensino da sustentabilidade em todos os seus cursos. E a Carta da Terra é o documento que norteia esse processo. A UMAPAZ - Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz, em São Paulo, baseia todas as suas atividades na Carta e oferece dezenas de cursos para educadores e para o público em geral. O Instituto Paulo Freire é outro bom exemplo, ele desenvolve projetos pedagógicos para escolas, com base também na declaração (Leia a resenha do livro A Carta da Terra para a Educação, que será lançado em maio, e também a entrevista com o autor do livro e presidente do Instituto, Moacir Gadotti)

O número de projetos voltados para a educação infantil parece maior do que nas universidades. Isso é real?
As crianças, realmente, aprendem com entusiasmo, mas o motivo principal é que as escolas estão mais abertas para trabalhar com a Carta da Terra do que as universidades. No ensino superior existem muitos egos, então, o diálogo é mais difícil. E nas escolas, as aulas tendem a ser mais interdisciplinares, o que facilita o ensino da sustentabilidade nas diferentes matérias.
Como você avalia o apoio à Carta da Terra pelo meio empresarial e o que está sendo feito para incentivá-lo?
A adesão do setor privado é chave e está aumentando consideravelmente nos últimos anos. Se precisamos colocar a sustentabilidade em todos os lugares, é fundamental que os processos produtivos sejam reorientados. A atuação das empresas transita por sua relação com a natureza, com a comunidade local, com seu público interno e, até, com outros países. A sustentabilidade precisa permear todas essas áreas. Estamos trabalhando em conjunto com a GRI - Global Reporting Initiative, que já tem suas normas adotadas por inúmeras empresas. A ideia é integrar os conceitos da Carta da Terra com os conceitos da GRI.

Quais iniciativas você destaca no setor privado?
O Hilton Hotel, em Washington, nos Estados Unidos, e o Hotel Parque del Lago, na Costa Rica. Ambos realizaram treinamentos sobre sustentabilidade com seus funcionários, inspirados na Carta da Terra, para que a ética seja praticada em todas as atividades dos empreendimentos. O Parque del Lado está, inclusive, usando os princípios da Carta para basear seu planejamento estratégico.
O Brasil é um dos países mais engajados na divulgação e implantação da Carta da Terra?
Sim, a atuação brasileira é muito relevante para o movimento. O Brasil é um país muito ativo e o compromisso da sociedade civil é grande em relação a outros países. Existem iniciativas muito criativas e animadoras, como o trabalho da ONG Harmonia da Terra, que criou um jogo de tabuleiro com os conceitos da Carta. Esta é uma excelente forma de divulgá-la. O Ministério do Meio Ambiente também é um grande apoiador. O órgão tem promovido a Carta em conjunto com as Agendas 21 locais. Também existem prefeituras, como a de São Paulo e a de Goiânia, que usam o documento como norte para muitas de suas atividades.

É possível dizer que a “parceria” entre Carta da Terra e Agenda 21 facilita a disseminação e a compreensão dos princípios da Carta?
É uma ótima ideia integrar a Carta da Terra com as Agendas 21. São conteúdos complementares, que se fortalecem e se ajudam. A Agenda 21 é um guia para ações e a Carta da Terra, o fundamento. É como se um fosse o corpo e o outro a alma. A iniciativa do Ministério do Meio Ambiente brasileiro deve, sim, servir de exemplo para outros países. Na Argentina, existe um programa parecido, também liderado pelo seu Ministério do Meio Ambiente, que trabalha com Agendas 21 nas escolas, em conjunto com a Carta.

Você pode citar outros exemplos relevantes, em outros países?
Em 2005, o Senado australiano reconheceu a relevância da Carta da Terra como princípio ético e declarou apoio à sua aplicação nas políticas de educação para o desenvolvimento sustentável. O México é outro país que se destaca em suas práticas. Lá, o Ministério do Meio Ambiente coordena a aplicação do documento em diversas áreas.

O México será sede da COP16, em dezembro. Isso aprofundou a adesão do país em relação à Carta da Terra?
O México tem um envolvimento fortíssimo com a Carta da Terra, que precede a escolha do país como sede da COP16. Em 1999, algumas ONGs do país começaram a aderir à iniciativa e, em 2002, o documento ganhou o apoio do governo federal. O Ministério do Meio Ambiente mexicano promove atividades e parcerias, principalmente na área da educação. Para se ter ideia de seu comprometimento, quase todos os governos estaduais e quase todas as universidades do país adotam a Carta da Terra. No dia 22/4, Dia da Terra, haverá uma grande celebração no país pelos dez anos da Carta, com a presença do presidente Felipe Calderón.

Como a Carta da Terra pode ajudar na busca de soluções para o aquecimento global?

A questão das mudanças climáticas é um problema de falta de ética. O dilema central para os países, hoje, é: “devo focar no interesse econômico nacional ou no bem de todos os habitantes do planeta?”. Prevalecem os interesses econômicos e essa questão ética não está na mesa de discussões. É muito difícil – eu diria praticamente impossível -, haver acordo sem uma base ética comum. Na COP16, vamos lutar para que a Carta da Terra seja aceita como essa base ética.
As mudanças climáticas e o aquecimento global levaram as questões ambientais para a vida diária de todo o mundo. Como está a parceria entre a Carta da Terra e as grandes organizações ambientalistas?
O apoio dessas organizações é fundamental e elas já representam uma parcela grande de nossos associados e colaboradores. A adesão à Carta da Terra ocorre de forma diferente em cada nação e existem muitos países nos quais as organizações ambientalistas são as líderes do processo. Na Alemanha, por exemplo, a Friends of the Earth é um dos principais parceiros da Carta da Terra e, na Itália, é a ONG Pronatura. A WWF reconhece e apoia a Carta, assim como o Greenpeace. No Brasil, o processo de consulta da Carta da Terra, entre 1997 e 1998, foi liderado pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o meio Ambiente e Desenvolvimento, com a participação de um número grande de organizações ambientalistas.

Após dez anos de difusão da Carta da Terra, quais foram os principais resultados alcançados?
O reconhecimento da UNESCO, em 2003, foi a maior vitória. Naquele ano, a Conferência Geral da UNESCO, que reúne todos os ministérios de educação dos países membros da ONU, adotou a Carta da Terra como documento base para a Educação para a Sustentabilidade. O apoio da IUCN - World Conservation Union, a maior organização ambientalista do mundo, é outro fato relevante.
Para finalizar a entrevista, diga como as pessoas podem participar da iniciativa.
Cada um pode usar a Carta da Terra como bússola para as suas atitudes pessoais, agindo com respeito e amor ao meio ambiente e aos seus semelhantes. Se queremos que o documento norteie as decisões de governos, empresas e ONGs, nada mais coerente que começarmos por nós mesmos. Como dizia Gandhi, “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

“Abençoado seja o Filho da Luz

que conhece sua Mãe Terra,

pois é ela a doadora da vida.
Saibas que a sua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela.
Foi Ela quem te gerou e que te deu a vida
E te deu este corpo que um dia tu lhe devolvas.

Saibas que o sangue que corre nas tuas veias
Nasceu do sangue da tua Mãe Terra,
o sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela
borbulha nos riachos das montanhas
flui abundantemente nos rios das planícies.

Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra,
o alento Dela é o azul celeste das alturas do céu
e os sussurros das folhas da floresta.

Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos de tua Mãe Terra.
Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra.
A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos
nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra
que te rodeiam feito às ondas do mar cercando o peixinho.

Como o ar tremelicante sustenta o pássaro
em verdade te digo, tu és um com tua Mãe Terra
ela está em ti e tu estás Nela.
Dela tu nasceste, Nela tu vives e para Ela voltará novamente.

Segue, portanto, as Suas leis
pois teu alento é o alento Dela.
Teu sangue o sangue Dela.
Teus ossos os ossos Dela.
Tua carne a carne Dela.
Teus olhos e teus ouvidos são Dela também.

Aquele que encontra a paz na sua Mãe Terra
não morrerá jamais,
conhece esta paz na tua mente
deseja esta paz ao teu coração
realiza esta paz com o teu corpo.”

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